quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

1 de 2017: Sobre as palavras "obrigado/a" x "gratidão"


Não ia me manifestar a respeito, ia só continuar a usar “meu obrigada” naturalmente e seguir minha vida... (Grandes coisas, a minha opinião! rs. Cada um fala do jeito que quer...)
Mas me cansei desse “trem” de ficar ouvindo que “A palavra “Obrigado” vem do latim “Obligatus”, particípio do verbo obligare, que significa ligar, amarrar. É uma forma de expressar fico-lhe obrigado, ou seja, fico-lhe ligado/amarrado pelo favor que me fez. Já a palavra “Gratidão” vem do latim “gratia”, que significa literalmente graça, ou gratus. Significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é reconhecido, não envolve obrigações ou amarrações...”*
 Ôôôô que lindo! Que pessoas boas e puras!
Nunca consegui me sentir confortável com essa troca. Para mim, a palavra “gratidão” não se ajusta bem para expressar agradecimentos, é só um substantivo. Enquanto “obrigado/a” é um interjeição, uma fórmula de agradecimento já estabelecida, e que perdeu esse sentido do troco, de estar devendo...
Por que então não usar “agradecido”, ou “grato”, “agradeço”, “valeu”...? A intenção não é ser hipercorreto? Considero isso não mais que hipercorreção linguística: “busca do uso correto que se eleva ‘acima da correção’ em uma língua.”. Erro que o falante comete “num esforço para ajusta-se à norma-padrão” e “acaba por cometer um (outro) erro”.** (Sabe o “a gente vamos? Então...)
Que medo as pessoas estão tendo de se sentirem obrigadas, fico pensando! Depois, então, do meme “Não sou obrigada”, teve até aluna minha me respondendo que não ia fazer alguma atividade porque não era obrigada!!! (Né, não besta! Deixa sem fazer que  você vai ver a nota no final... rs.)
Contudo eu entendo que o “Não sou obrigada” aliviou o peso do que realmente não somos obrigados  e  ainda assim sentimos que somos.” (E ao dar uma estudada para escrever aqui, cheguei até ao art. 5º (II) da Constituição, que diz que “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Agora vou argumentar legalmente – hehehe!)
“Obrigada” para mim não é um peso. E sinceramente, amo retribuir. Gentilezas, tantas vezes, constrangem a gente e geram mais gentilezas – graças a Deus!
“Obrigada” para mim, é mais leve que gratidão. É descomplicado, fácil, direto, simples...
Para mim!
Se adéqua a minha máxima para 2017 e para a vida: “Se não está simples, não está no ponto. Simplifica, simplifica”.
                 

* http://www.resilienciamag.com/sutil-diferenca-entre-obrigado-e-gratidao/

**http://revistaidentidade.webnode.com.br/news/o%20fenomeno%20da%20hipercorre%C3%A7%C3%A3o%20linguistica%3A%20entenda%20um%20pouco%20mais/