sexta-feira, 27 de julho de 2012

2. Acho que encontrei um novo amor, mas ainda estou pensando a respeito.

Eu nunca fui contra animais, mas não muito apegada e contra maltratá-los. Sempre achei que criar um de qualquer jeito equivale a maus tratos. Porque além de alimentação, cuidados com a saúde, limpeza e tudo o mais, o que eu sempre acreditei ser fundamental é o amor, carinho. Sem tempo para passear, brincar, fazer cafuné, conversar e ensiná-los, é o mesmo que pai que separa e quer compensar o filho com brinquedos e presentes. Mas sempre planejei ter um cachorro ou gato, ou algum outro bicho que me ganhasse o coração. Um dia... Quando eu crescer e tiver minha própria casa.

Na casa em que moro – a dos meus pais - sempre tivemos cachorros. E um deles até foi meu. Mikey, um vira-lata lindo. E outros vários. Mas sempre cachorros grandes. Criados lá e a gente cá. Mais como cães de guarda.

Prefiro crianças, eu sempre disse. E quem me conhece, sabe que prefiro mesmo, como me derreto por elas e me entrego.

Mas eu fui pega por esse amor parecido. E me senti bem. Achei gostoso passar a manhã lendo com aquela coisinha quente e fofa no meu colo, sentindo o seu coraçãozinho bater na minha perna. A fragilidade, a esperteza, peraltices e a necessidade de limites. Vi o amor de um amigo e seus três cachorros e isso mexeu comigo. Fez-me pensar mais a respeito.

E quem diria que agora eu estaria assim:

Não, eu não comprei um cachorro para mim. Essa ai está só de passagem. E não acho que foi coincidência Sofia (finalmente meu pai escolhei um nome que me agradou. A intenção dele é Sophia Loren, mas por mim, será Sofia) chegar aqui em casa bem nesta semana que estou fragilizada por esse amor por bichos.

Ela vai para o nosso sítio, diz ele. Mas ontem estava indeciso se vai mesmo. É que ela é tão bonitinha. E Diana a aceitou tão bem... Mas minha mãe já disse que duas nem pensar! E eu entendo a decisão dela. Mas dessa vez não disse nada, estou só pensando a respeito.

Eu continuo achando que cachorros dão muito trabalho. E também um exagero cachorro dormir na cama com o casal – ainda que respeito muito quem goste. Tenho medo de Diana qualquer hora me abocanhar. Ela é grandona, mas é tão tranquila e educada (que Deus assim conserve! rs). Ainda não concordo com quem trata bicho melhor que gente, mas entendo as carências, e dificuldades dos relacionamentos interpessoais que às vezes provocam isso.

Mas eu não consigo levantar para acabar o almoço. Acho que Sofia está sonhando e não queria atrapalhar...

Eita, esta sou eu mesmo? rs. Sou sim, a mesminha, mas diferente. E com fome. Elas também devem estar. Vou cuidar disso e continuar pensando a respeito. Se é um novo amor e vai durar eu não sei. Nem me preocupa. Mas sei que não demora e Sofia deixará de ser esse trenzinho pequeno, frágil e fofo. Aqui não vai ter mesmo espaço para as duas. Melhor curti-la enquanto é tempo.

Então eu penso que posso amar Diana, mesmo grandona. De um jeito que eu vou encontrar. Mas não tenho certeza de nada. Só estou pensando a respeito.