Na casa em que moro – a dos meus pais - sempre
tivemos cachorros. E um deles até foi meu. Mikey, um vira-lata lindo. E outros
vários. Mas sempre cachorros grandes. Criados lá e a gente cá. Mais como cães
de guarda.
Prefiro crianças, eu sempre disse. E quem me
conhece, sabe que prefiro mesmo, como me derreto por elas e me entrego.
Mas eu fui pega por esse amor parecido. E me senti
bem. Achei gostoso passar a manhã lendo com aquela coisinha quente e fofa no
meu colo, sentindo o seu coraçãozinho bater na minha perna. A fragilidade, a
esperteza, peraltices e a necessidade de limites. Vi o amor de um amigo e seus
três cachorros e isso mexeu comigo. Fez-me pensar mais a respeito.
E quem diria que agora eu estaria assim:
Não, eu não comprei um cachorro para mim. Essa ai
está só de passagem. E não acho que foi coincidência Sofia (finalmente meu pai
escolhei um nome que me agradou. A intenção dele é Sophia Loren, mas por mim, será
Sofia) chegar aqui em casa bem nesta semana que estou fragilizada por esse amor
por bichos.
Ela vai para o nosso sítio, diz ele. Mas ontem
estava indeciso se vai mesmo. É que ela é tão bonitinha. E Diana a aceitou tão
bem... Mas minha mãe já disse que duas nem pensar! E eu entendo a decisão dela.
Mas dessa vez não disse nada, estou só pensando a respeito.
Eu continuo achando que cachorros dão muito
trabalho. E também um exagero cachorro dormir na cama com o casal – ainda que
respeito muito quem goste. Tenho medo de Diana qualquer hora me abocanhar. Ela
é grandona, mas é tão tranquila e educada (que Deus assim conserve! rs). Ainda
não concordo com quem trata bicho melhor que gente, mas entendo as carências, e
dificuldades dos relacionamentos interpessoais que às vezes provocam isso.
Mas eu não consigo levantar para acabar o almoço.
Acho que Sofia está sonhando e não queria atrapalhar...
Eita, esta sou eu mesmo? rs. Sou sim, a mesminha, mas diferente. E com fome.
Elas também devem estar. Vou cuidar disso e continuar pensando a respeito. Se é
um novo amor e vai durar eu não sei. Nem me preocupa. Mas sei que não demora e
Sofia deixará de ser esse trenzinho pequeno, frágil e fofo. Aqui não vai ter
mesmo espaço para as duas. Melhor curti-la enquanto é tempo.
Então eu penso que posso amar Diana, mesmo
grandona. De um jeito que eu vou encontrar. Mas não tenho certeza de nada. Só
estou pensando a respeito.
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