sexta-feira, 3 de agosto de 2012

3. Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais



É um fardo muito pesado levar as pessoas sempre muito a sério. Acreditar sempre em tudo que elas nos dizem. Principalmente aqueles a quem mais amamos, donos das palavras que mais nos pesam e interferem nas nossas vidas. É uma grande prova de amor não levar tão a sério quem nós seriamente amamos.

Muito arriscado levar tudo muito a sério. Pode ser prejudicial aos relacionamentos. Simplesmente pela vulnerabilidade humana, que vez ou outra se apodera de nós e como reféns, prometemos, planejamos, afirmamos e um dia tá lá o inverso. Ele mesmo. Envergonhando-nos, desmascarando-nos, dando razão aos que nos avisaram, que nos falaram.

Devemos levar a sério sim o que nos dizem, mas nem sempre. Não tem a ver com desconfiança. Tem mais a ver com relevar. Entender. Porque nem sempre que se diz algo e faz outro é por mentira. Paga-se a língua, ou a opinião muda, percebe-se que o inverso é bem melhor. Não havia mentira naquele momento da afirmação. Foi algo dito de coração, de verdade, mas que teve que ser contrariado.

E às vezes é mentira mesmo. Daquelas que o mentiroso tenta convencer até a si próprio, ainda que no fundo ele saiba que não é bem assim. Mas luta para que dê tempo de um dia ser verdade, antes que seja descoberto.

E há os que dolosamente mentem. Porque a verdade é grande demais para ser exposta e covardemente escolhe-se a mentira. Ou por desdém, sabe o “quem desdenha quer comprar”? Então. É só uma tentativa manipuladora de conseguir o que se quer.

Algumas mentiras nos passam despercebidas. Outras, fáceis ou não, detectamos. Isso depende também do emissor. Algumas pessoas nos encabulam como parecem ser as únicas que acreditam nas próprias mentiras e promessas.

Mas tem gente que a gente releva. Por amor, com o mesmo que nos amamos. E essa é a primeira regra para conseguir não levar sempre muito a sério os que amamos: não nos levar também. Porque sabemos de quantos perdões precisamos pelos nossos inversos.

Por isso não devemos nem animar demais com as mais doces promessas. E nem achar que é o fim de tudo a não demonstração de um sentimento. O melhor é administrar bem nossas expectativas. Para não cair em alguma conversa mole. Nem descartar rapidamente os indícios.

Cansativo demais tentar sempre saber, ter certeza em tudo, porque é impossível.

Acreditar aqui. Desconfiar ali. Investigar às vezes. Errar ou acertar acolá. Nem sempre vai fazer sentido. E as surpresas nem sempre serão desagradáveis. Pedir a Deus que não. E as que forem que saibamos aprender com elas. E  viver. Mas nem a vida podemos levar tããão a sério assim!

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